quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Prazer, Lapa

Começo do século XX. Lapa. O samba ganha seu berço.
Uma das áreas mais místicas do Rio de Janeiro, o bairro entra em decadência a partir dos anos 50, tornando-se um dos lugares mais perigosos e sem vida da cidade.
1997. A história começa a mudar...
Surge a nova geração do samba. Jovens que resgataram sambas antigos e fizeram renascer o redudo da Lapa. O bairro entrava assim para o circuito cultural do Rio de Janeiro. Empresários começaram a investir em antigas casas abandonadas, que hoje abrigam noites maravilhosas, recheadas de música boa, gente bonita, bebida e comida de primeira qualidade. A memória foi resgatada em forma de música e História.
Hoje, a Lapa é referência de entretenimento cultural no Brasil, sem nem depender de investimentos públicos. O bairro recebe em média 100 mil pessoas por fim de semana.
Registros, filmes, documentários, trabalhos e estudos sobre a Lapa é o que não falta.
Porém, poucos conseguem transpor com imagem, som ou letra toda a magia que envolve esse lugar. É preciso muito mais do que ver e ouvir para entender o que é a Lapa.
É preciso sentir.

Sentir a mistura de tribos de todos os tipos, reunidas num lugar desprovido de preconceitos, regras, tabus e até moral.

Na Lapa, você vê, ouve, bebe, come, dança, conhece e sente de tudo.

"Enquanto a cidade dorme, a Lapa fica acordada, acalentando quem vive de madrugada".

Sistema Lapa de Samba é um documentário que conta esta história, apresenta os novos nomes do samba brasileiro, aponta para os antigos mestres e analisa o que aconteceu de fato para que a Lapa e o samba voltassem a ser fenômenos no Brasil. Dirigido pelo jornalista Bruno Maia, o filme será lançado em 2009. O trailler já está disponível no site do filme. E que venha a estréia!

Ficha Técnica
Direção: Bruno Maia
Assistência de direção: Mario Cascardo
Fotografia: Bruno Maia, Mario Cascardo e Eduardo Levy
Produção: Bruno Maia e Débora Gusmão
Edição: Bruno Maia

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Passarela do Samba I

No quinto período da faculdade de Jornalismo, o professor pediu aos alunos que criassem um modelo de programa de rádio e gravassem vários programas para serem transmitidos pela Rádio Gama, a rádio da Universidade Gama Filho.

A idéia de fazer um programa de samba (modéstia à parte) partiu de mim. Juntou-se então a outras idéias (igualmente brilhantes) dos outros integrantes do grupo. Assim nasceu o Passarela do Samba.

Um programa animado, descontraído, informativo e musical, ao mesmo tempo. Fora as edições temporais, com notícias do momento, foram gravadas várias edições especiais. A que segue é uma dessas. Aliás, uma das melhores que fizemos.

Em homenagem à Beth Carvalho, ouçam. Vale a pena!

video

Créditos de Flavia Vargas, Enéas Lima, Thiago Barata e Renato Moraes.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Sambas-enredo 2009

Já está nas lojas o cd que traz os sambas-enredo das agremiações do grupo especial do Rio de Janeiro. Com 12 faixas, o álbum foi distribuído em 150 mil cópias. O preço médio é de R$22.

Para quem for ouvir, prepare-se para o troca-troca de intérpretes. Das 12 escolas de samba participantes, seis mudaram o puxador.

Novidades:
- Participação especial de Alcione no samba da Mangueira
- Participação especial do grupo Fundo de Quintal na introdução do samba da Imperatriz Leopoldinense
- A famosa saudação de Jamelão, `Minha Mangueira', é lembrada na gravação da Verde-e-Rosa
- Violinos encerram o samba da Vila Isabel, cujo enredo é o centenário do Teatro Municipal
- Renovação do grito de guerra de Quinho, do Salgueiro, que junto com o tradicional "Arrepia, Salgueiro" traz um inusitado "Ei, psiu. Ei, psiu"


Pois é. Já é Carnaval!

domingo, 16 de novembro de 2008

Bola Preta na estante

Um dos símbolos do Carnaval carioca, agora registrado nas páginas do livro A História do Cordão da Bola Preta.

O leitor pode passear pela história do clube, através dos registros de memórias do Quartel General do Carnaval Carioca, desde a sua fundação em 1918 até o ano de 2005.

O saudosismo fica por conta das fotos e histórias dos grandes bailes de salão, blocos de rua, marchinhas, sociedades carnavalescas, corsos e personagens marcantes.

Quem quiser conferir, o livro está à venda na secretaria do clube, na Avenida Treze de Maio, 13, 3º andar, de segunda a sexta-feira, das 13h às 18h.

Um prato cheio para historiadores e fãs do mais tradicional bloco de Carnaval do Brasil.


A História do Cordão da Bola Preta, de Murilo Brasil, Editora Teatral, 198 páginas, R$15,00.

domingo, 9 de novembro de 2008

Quem não chora...


Não mama! Segura meu bem... a chupeta!
Lugar quente é na cama, ou então...

no BOLA PRETA!

É sábado! Dia 15 de novembro, feriado do Dia da Proclamação da República. O bloco mais tradicional do Rio de Janeiro, quiçá do Brasil, vai sair!

Não tem como perder... então, vá!
Como no Rio de Janeiro é Carnaval o ano inteiro, tá mais do que na hora de já começar a cair na folia.

Marchinhas e sambas tradicionais, sambas-enredo e muito mais.
Gente fantasiada, famílias, idodos...

No meio do bloco, não há idade, não há raça, cor, sexo, religião. Todos são um só, a multidão, embalados pela paixão e alegria de qualquer folião.

A concentração será às 15h na Cinelândia, em frente ao Teatro Rival.

Preparem as serpentinas, os confetes e vamos sambar!

Até lá.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Samba é cultura!

Idealizado por Martinho Filho e musicalmente produzido por Mart’nália, o CD Aula de Samba - A História do Brasil através do Samba-Enredo é um projeto que pretende levar a estudantes importantes feitos, fatos e personagens da História do Brasil.
Lançado pela gravadora Biscoito Fino, o CD traz sambas-enredo de várias agremiações, mostrados na avenida nos anos de 1949 a 1976. Entre os intérpretes estão importantes vozes do cenário musical brasileiro, como Chico Buarque, Simone, Lenine, Fernanda Abreu, Toni Garrido, Dona Ivone Lara, Emílio Santiago, Lecy Brandão, Paulinho Moska, Maria Rita, Zélia Duncan e Alcione.

Um projeto nobre e valioso que, através do samba, dá uma aula de História do Brasil.

Lado a lado, encontram-se história, cultura e arte.

Boa pedida, sobretudo para as crianças. Fica a dica!


Faixas
01. Exaltação à Tiradentes (Estanislau Silva / Mano Décio / Penteado - Império Serrano) - Chico Buarque
02. Benfeitores do Universo (Hélio Cabral - Cartolinhas de Caxias) - Zélia Duncan
03. O Grande Presidente (Padeirinho - Mangueira) - Alcione
04. Dia do Fico (Cabana - Beija Flor) - Paulinho Moska
05. Aquarela Brasileira (Silas de Oliveira) - Simone
06. Os Cinco Bailes da história do Rio (Silas de Oliveira /Bacalhau/Dona Ivone - Império Serrano) - Dona Ivone Lara e Toni Garrido
07. Dona Beja (Aurinho da Ilha) - Leci Brandão
08. Sublime Pergaminho (Nilton Russo / Zeca Melodia / Carlinhos Madrugada - Unidos de Lucas) - Emílio Santiago
09. Heróis da Liberdade (Mano Décio / Silas de Oliveira / Manoel Ferreira - Império Serrano) - Maria Rita
10. Onde o Brasil aprendeu a Liberdade (Martinho da Vila) - Lenine
11. Os Sertões (Edeor de Paula) - Fernanda Abreu
12. Hino Nacional do Brasil (Joaquim Osório Duque Estrada / Francisco Manuel da Silva) - Grupo Cavaleiros de Jorge

Ficha Técnica
Lançamento e distribuição: Biscoito Fino
Gerência de Produção: Martinho Filho
Assistente de Produção: Luciene Caruso

domingo, 12 de outubro de 2008

O poeta não morreu

Dono de uma malandragem que não existe mais. Uma genialidade musical que ecoa até hoje nas mais belas composições. Ou seriam poesias?

No dia 11 de outubro, Angenor de Oliveira, o nosso Cartola, completaria 100 anos.
O apelido veio bem cedo, quando ele ainda era pedreiro e usava um chapéu-coco para evitar que o cimento lhe sujasse a cabeça. Mal sabia ele que daquela "cartola" sairiam tantas obras-primas...

Nascido no Rio de Janeiro, reduto do samba, Cartola morou nos bairros do Catete e Laranjeiras, antes de ir para a Mangueira, quando a favela ainda se formava. Ali, com seu amigo Carlos Cachaça, o compositor fundou o Bloco dos Arengueiros, em 1925. O bloco cresceu e se juntou a tantos outros já existentes no morro para formar, em 1928, a G.R.E.S Estação Primeira de Mangueira, segunda escola de samba carioca. O nome, assim como as cores verde e rosa, foram escolhidos por Cartola. Mas foi nos anos 30 que o poeta teve seus sambas popularizados nas vozes de cantores como Francisco Alves, Mário Reis, Silvio Caldas e Carmen Miranda.

No anos 40, Cartola desapareceu. Chegou-se até a pensar que o músico tivesse morrido.
Porém, em 1956, eis que surge o poeta, descoberto pelo cronista Sérgio Porto, trabalhando como lavador de carros em uma garagem em Ipanema.

Cartola voltou à compor, promovido pelo mesmo cronista que o redescobriu. Foi daí para os programas de rádio e ilustres vozes novamente. Mas só em 1974, com quase 66 anos, Cartola gravou seu primeiro LP, de mesmo nome. Merecidamente, o projeto lhe rendeu vários prêmios.

Aos 70 anos, o compositor foi morar no bairro de Jacarepaguá, em busca de mais tranquilidade. Lá, ao lado de Dona Zica, com que viveu desde 1961 aproximadamente, Cartola descobriu que tinha câncer. Maldita doença, que levou nosso poeta em 30 de novembro de 1980.

"O Cartola não existiu, foi um sonho que a gente teve”. Sábias palavras de Nelson Sargento. A mais pura verdade. Sorte que Cartola se foi mas nos deixou um infinito legado. Todo nosso.




Parabéns, Cartola.
Músico, compositor, sambista, instrumentista, poeta.
E mágico.

sábado, 13 de setembro de 2008

O Mistério do Samba



Que a Velha Guarda da Portela é essencial no cenário do samba brasileiro, isso todo mundo já sabe. Faltava enfim um registro digno. Agora não falta mais.

Há dez anos, em 1998, a idéia partiu de Marisa Monte, que resolveu resgatar sambas esquecidos para seu disco "Tudo Azul". A cantora convidou então os diretores Lula Buarque de Hollanda (sobrinho de Chico Buarque) e Carolina Jabor (filha de Arnaldo Jabor). Em 2008, a obra ficou pronta.
O Mistério do Samba, em cartaz nos cinemas, mistura melancolia, alegria e saudosismo na dose certa. O resultado é um documentário simples e inspirador, com histórias da comunidade de Oswaldo Cruz, Zona Norte do Rio de Janeiro, nos arredores da tradicional escola de samba da Portela.

É de Monarco a frase mais célebre, citando o mestre Noel Rosa: “Quem suportar uma paixão, saberá então que o samba vem do coração”.


Confiram o trailer:




Palmas para Marisa Monte. Pela iniciativa e pelo belo trabalho.
Emocionante. Encantador. Um patrimônio histórico-artístico-cultural do brasileiro.

Título Original: O Mistério do Samba
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 88 minutos
Ano de Lançamento (Brasil): 2008
Site Oficial: www.omisteriodosamba.com.br
Estúdio: Conspiração Filmes / Phonomotor
Distribuição: VideoFilmes
Direção: Carolina Jabor e Lula Buarque de Hollanda
Roteiro: Carolina Jabor, Leonardo Netto, Lula Buarque de Hollanda, Marisa Monte e Natara Ney, com colaboração de Emílio Domingos, Hugo Sukman, Mônica Almeida e Suzana Mekler
Produção: Leonardo Netto, Lula Buarque de Hollanda e Marisa Monte
Fotografia: Toca Seabra
Edição: Natara Ney

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Onde tudo começou


Enfim o Youtube usado também para a cultura.

Melhor do que ver e ouvir esse clássico do samba, é conferir a irreverência de Donga mostrando seu samba no pé. Sem falar na participação de um (ainda) tímido Chico Buarque e do (sempre!) armado cabelo da Hebe.

Clica aqui ó: http://br.youtube.com/watch?v=cyq81SD--YA

Aplausos. Muitos aplausos.

Um pouco de história...
27 de novembro de 1916 - Primeiro samba a ser gravado no Brasil, "Pelo Telefone" é uma criação de Ernesto Joaquim Maria dos Santos (Donga) e Mauro de Almeida. No registro, da Biblioteca Nacional, o samba consta como sendo de autoria de Donga.
"Pelo Telefone" nasceu na casa da Tia Ciata, numa das mais famosas rodas de samba da época, em meio a ilustres figuras do samba brasileiro, como João da Baiana, Caninha, Sinhô e Pixinguinha.


Pra quem quiser acompanhar...

O Chefe da Folia
Pelo telefone manda me avisar
Que com alegria
Não se questione para se brincar

Ai, ai, ai
É deixar mágoas pra trás, ó rapaz
Ai, ai, ai
Fica triste se és capaz e verás

Tomara que tu apanhe
Pra não tornar fazer isso
Tirar amores dos outros
Depois fazer teu feitiço

Ai, se a rolinha, Sinhô, Sinhô
Se embaraçou, Sinhô, Sinhô
É que a avezinha, Sinhô, Sinhô
Nunca sambou, Sinhô, Sinhô
Porque este samba, Sinhô, Sinhô
De arrepiar, Sinhô, Sinhô
Põe perna bamba, Sinhô, Sinhô
Mas faz gozar, Sinhô, Sinhô

O “Peru” me disse
Se o “Morcego” visse
Não fazer tolice
Que eu então saísse
Dessa esquisitice
De disse-não-disse

Ah! Ah! Ah!
Aí está o canto ideal, triunfal
Ai, ai, ai
Viva o nosso Carnaval sem rival

Se quem tira o amor dos outros
Por Deus fosse castigado
O mundo estava vazio
E o inferno habitado

Queres ou não, Sinhô, Sinhô
Vir pro cordão, Sinhô, Sinhô
É ser folião, Sinhô, Sinhô
De coração, Sinhô, Sinhô
Porque este samba, Sinhô, Sinhô
De arrepiar, Sinhô, Sinhô
Põe perna bamba, Sinhô, Sinhô
Mas faz gozar, Sinhô, Sinhô

Quem for bom de gosto
Mostre-se disposto
Não procure encosto
Tenha o riso posto
Faça alegre o rosto
Nada de desgosto

Ai, ai, ai
Dança o samba
Com calor, meu amor
Ai, ai, ai
Pois quem dança
Não tem dor nem calor

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Bossa NOSSA

Completando 50 anos, a Bossa Nova recebe este ano homenagens mais do que merecidas.

Quem não conhece, vale a pena conferir. Quem já conhece, parabéns, sabe desfrutar de um bom som. De nova não tem nada, afinal, quanto mais antiga melhor. Mas de nossa... Ah, isso tem muito. Fruto do brasileiro, com orgulho. Mais do que um gênero, a Bossa representa uma geração.

Então, aqui vai uma dica:

Até o dia 26 de outubro, está em cartaz no Arte Sesc a mostra "Isso é Bossa Nova", que retrata a importância e a riqueza desse gênero musical e o contexto histórico onde ele surgiu. A exposição conta com painéis históricos e apresenta os fundamentos da Bossa Nova e seus personagens, além de permitir a interatividade dos visitantes.

A diversão fica por conta do karaokê instalado logo na primeira sala, onde os espectadores podem cantarolar clássicos da época.

João Gilberto, Tom Jobim, Vinicius de Moraes e Nara Leão são alguns dos personagens destacados na exposição sobre como e quando surgiu, e quem são os maiores ícones da Bossa Nova. Nesta parte, fones de ouvido dão o tom da história.

Para introduzir o visitante no contexto histórico da época, são apresentados em uma outra sala os fatos marcantes no Brasil e no mundo, nos anos de 1958 e 65. Aí, o espectador pode reviver os tempos da Corrida Espacial, da construção de Brasília, da Era Kennedy e da Revolução Cubana. Pode também viajar pela fantástica época dos mini vestidos, dos primeiros rádios portáteis e das "novas" gírias.

Em outra sala, monitores e materiais artísticos inspiram os visitantes a criar ilustrações da Bossa Nova.

Por fim, numa sala de estar típica da época, os visitantes podem bater um papo com uma "garota Bossa Nova", interpretada por uma atriz, e ouvir a melodia que marcou o cenário musical brasileiro.

Quer mais?... A entrada é franca!

Irresistível, não?

O Arte Sesc fica na Rua Marquês de Abrantes, 99, Flamengo, Rio de Janeiro. A exposição fica aberta para visitação de terça a sábado das 12h às 20h e domingos das 11h às 17h.

Tá aí... um belo passeio.